António de Ataíde, 5.º
conde da Castanheira e 1.º conde de Castro D’Aire, nasceu por volta de 1567 ou
um pouco antes e morreu a 14 de Dezembro de 1647. Vivenciou os impactos da sua existência
com índole apaixonada e os limiares de novas conceções artísticas e literárias
como homem de letras singular, insigne capitão-general do ponto de vista da
estratégia militar, almirante versado e político polifacetado nas suas práticas.
Presenciou as primeiras
colonizações do Brasil, experimentou o desastre de Alcácer‑Quibir e a
subsequente perda da independência; escolheu o partido dos Filipes – sem nunca
descurar a sua origem lusa –, governou regiões desmedidas, ambulou pela Índia,
deslizou por oceanos e sentiu na pele as fragosidades dramáticas do trágico e
do épico. A plenitude de todo o território e do mar português estiveram sempre
na linha da frente para o 1.º conde de Castro D’Aire. Não foi por acaso que alteou
até ao Olimpo Luís de Camões, bem como outros escritores de língua portuguesa.
D. António de Ataíde, devido
às circunstâncias do tempo em que viveu, esteve profundamente ligado à gestão
dos Habsburgos de Espanha. No entanto, no seu manuscrito, intitulado Borrador
de huma arte poetica que se intenta/ua escrever, lavrado
entre 1599 e 1602, observa-se um enaltecimento e uma pré-consciência da
importância da língua portuguesa.
Foi
um dos primeiros críticos da obra de vários autores portugueses, nomeadamente
Camões, apontando-o como um exemplo a seguir para o género épico e um acérrimo
defensor da língua e dos autores lusos. Assim, deve a obra do 5.º conde da Castanheira ser aprofundada, pois a
edificação da Lusofonia é um processo em contínua pesquisa e evolução.
Palavras-chave: Camões; epopeia; Lusíadas; Lusofonia; Poética.

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